Síndrome dos amigos de Jó

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Nos dias de hoje essa doença tem se espalhado de forma epidêmica, pois não há nada mais fácil do que julgar o próximo, nada mais simples que dizer o porquê dos problemas dos outros, nossa como julgar é fácil!
 
Temos na história de Jó um cenário de prosperidade, felicidade e harmonia onde seus coadjuvantes (os filhos) tiveram uma boa criação, haja visto, estarem sempre unidos compartilhando entre eles, não se tem relato desses banquetes serem oferecidos a outras pessoas para qualquer outro motivo, mas sempre entre irmãos. 

            Temos também um bom pai que a cada ciclo de festividades reunia seus filhos para os santificar, ou seja, ele estava sempre preocupado com a condição espiritual de seus filhos, no verso 5 do capitulo 1 (NVI) diz: Terminado um período de banquetes, Jó mandava chamá-los e fazia com que se purificassem. De madrugada ele oferecia um holocausto em favor de cada um deles, pois pensava:  'Talvez os meus filhos tenham lá no íntimo pecado e amaldiçoado a Deus'. Essa era a prática constante de Jó. Aí neste trecho está a mola propulsora dessa história, o ponto central a ser observado “Amaldiçoar a Deus”, ou seja, “maldizer”, “lançar maldição”, “praguejar”, “murmurar contra” , dentre outros; porque digo ponto central ? Porque foi exatamente isso que o diabo disse a Deus veja no verso 9 (NVI):  "Será que Jó não tem razões para temer a Deus?", respondeu Satanás. “Acaso não puseste uma cerca em volta dele, da família dele e de tudo o que ele possui? Tu mesmo tens abençoado tudo o que ele faz, de modo que todos os seus rebanhos estão espalhados por toda a terra. Mas estende a tua mão e fere tudo o que ele tem, e com certeza ele te amaldiçoará na tua face." Jó 1:9-11, E quando sua esposa após ter perdido tudo, recebe a notícia abrupta da morte de seus 10 filhos, filhos estes que criou com muito trabalho, todos sabem o quão difícil é educar filhos ainda mais 10 e pela harmonia de sua casa ela foi uma ótima mãe e neste momento creio que ela deve ter entrado em um estado idêntico ao de Jó, que rasga suas vestes e cai em desolação, condição tal que mais adiante vendo o sofrimento na carne de Jó, no capitulo 2 verso 9 ele expressa a frase na qual ficou por nós conhecida desde então: “Então sua mulher lhe disse: "Você ainda mantém a sua integridade? Amaldiçoe a Deus, e morra!" , Não sabemos as motivações dessa afirmação, como a maioria pensa, poderia ser uma afirmação cheia de ira, magoa e rancor com relação a Deus por permitir tal infortúnio ou poderia talvez ser uma afirmação desesperada de uma mãe desorientada pela perda e oprimida pela impotência em fazer algo por seu companheiro um homem justo, bom pai, fiel e integro que agora agoniza sentado em cinzas raspando seus tumores com cacos, se Jó tivesse neste estado nos dias de Hoje provavelmente estaria em uma UTI e já vi muitos parentes de pessoas em UTI desejarem o descanso de seu ente querido, além disso não há relatos que ela própria tenha amaldiçoado a Deus, como disse antes “julgar e fácil” , mas , a partir do próximo versículo (11) entra em cena os amigos de Jó, parece que eram amigos de verdade pois ficaram muito comovidos ao ver a situação calamitosa de Jó a ponto de rasgar suas veste e chorar em alta voz, sentando na terra com ele, ficaram 7 dias diante dele sem dizer uma palavra, segundo o “talmude” livro das tradições judaicas, quem vinha consolar alguém não podia falar até que a pessoa sofredora lhe dirigisse a palavra, como o próprio verso 13 do capitulo 2 diz : “a dor era muito grande”, os amigos de Jó enquanto estavam calados deram o verdadeiro consolo, sua presença; Ao passo que quando abriram a boca sem conhecimento dos fatos e totalmente alheios aos propósitos de Deus cometeram uma sucessão de graves erros tentando achar de forma natural e lógica quais seriam os motivos que levaram a tal situação buscaram as respostas no pior lugar possível, no seu próprio coração, começou o Julgamento.
 
Elifaz, o temanita foi o primeiro a se pronunciar. primeiramente no capítulo 4 e 5, depois no capítulo 15 e por fim no capítulo 22. Os seus discursos foram baseados em sua experiência de vida, a ênfase de seu discurso está Jó 4:7-9 que diz: “Lembra-te agora qual é o inocente que jamais pereceu? E onde foram os sinceros destruídos? Segundo eu tenho visto, os que lavram iniqüidade, e semeiam mal, segam o mesmo. Com o hálito de Deus perecem; e com o sopro da sua ira se consomem.” 
a afirmação “segundo eu tenho visto” mostra claramente aqueles que presunçosamente comparam situações e pessoas e se esquecem que Deus não segue a cartilha humana, “por que foi assim com fulano terá que ser assim com todos”.

            Já o segundo Bildade, o suíta, com sua conversa direta. Ele agiu de acordo com a tradição e sua participação está registrada nos capítulos 8, 18 e 25.

            Zofar, o naamatita, foi o terceiro a falar sobre a situação de Jó. Ele trabalha seus discursos através de suposições e seus dogmas. Vemos as suas manifestações somente no capítulo 11 e 20. Bilbalde e Zofar são aqueles que chamamos hoje de “Religiosos”, pessoas que tem as receitas para qualquer problema, não perguntam a Deus nada, já tem tudo definido.
A respeito do julgamento precipitado, sempre damos a mesma resposta a dor humana: pecado, maldição e demônios. Somos incapazes de dizer: é Deus o abençoando. É Deus o preparando. É Deus o fortalecendo. É Deus o levando a uma experiência mais profunda. É Deus fazendo justiça contra satanás.
 
            Quantos de nós muitas vezes fazemos o papel dos amigos de Jó, e em vez de orarmos diante do que não compreendemos ou não temos revelação, buscamos justificar o sofrimento alheio colocando peso de culpa e julgamento contra as pessoas, seguindo um raciocínio lógico meramente humano e por vezes demoníaco. Por que não compreendemos que há adversidades que vem de Deus? 
O erro dos amigos de Jó era querer achar justificativas para o seu suposto pecado, imagino a dor de Jó após todas as suas perdas, mas lhe restaria mais uma, a dor da incompreensão e julgamento injusto no dia da adversidade; É horrível! Tão horrível que Jesus mesmo clamou na Cruz dizendo: “Pai, por que me abandonaste?” Todos acreditaram que Jesus era um homem amaldiçoado por Deus pelos seus pecados, pois era inconcebível que alguém justo e sem pecado algum pudesse sofrer e morrer como Jesus. Nem mesmo sua família acreditou Nele.
Para Jó entre perdas, abandono e acusações restou apenas a adoração "o Senhor deu o Senhor tomou, bendito se o nome do Senhor".
 
 Adversidades nem sempre são maldições.
 
“Com os ouvidos eu ouvira falar de Ti; mas agora te veem os meus olhos” (Jó 42:5).
 
Jorge.